Expedição Amazônia e bionegócios

Para entender a Amazônia você tem que viver a Amazônia. Imbuídos desse sentimento, os sócios da Rise embarcaram, junto com outros empreendedores hands on de impacto, numa expedição pelas águas do Rio Tapajós e Arapiuns, para conhecer a verdadeira Amazônia, seus povos e suas forças.

Partindo de Alter do Chão, foram oito dias nos conectando com pessoas, suas histórias, valores e verdades. Nesses dias, nos conectamos com a natureza, seus frutos, ciclos e dádivas. Foi uma expedição que nos fez compreender a fundo que a natureza tem seu próprio tempo, seus próprios planos e vontades. Entendemos que podemos ser grandes parceiros, desde que trabalhemos lado a lado, humanidade e natureza, nos respeitando e entendendo que nós também somos parte dela.

Percebemos que se observarmos com respeito e atenção como a natureza opera, tudo que ela é capaz de produzir, e usarmos nossas capacidades cognitivas, ferramentas de gestão e tecnologias para complementá-la e retroalimentar os seus ciclos, podemos alcançar resultados impressionantes. Os povos locais já sabem disso há muito tempo e têm muito a ensinar para nós que estamos chegando. O “homem branco” já vem desenvolvendo as ferramentas há muito tempo, de forma que tem muito a contribuir, sempre atento ao respeito aos ensinamentos de quem vive aquilo. Trabalhando conjuntamente, as duas partes podem ser responsáveis por viabilizar o desenvolvimento econômico da região, por meio da produção dos nossos alimentos, remédios e cosméticos de maneira verdadeiramente sustentável, mantendo a floresta de pé e contribuindo para a valorização das civilizações florestais.

Vimos que os desafios para que a Amazônia seja o berço da tão esperada revolução 4.0, baseada na Bioeconomia, são muitos. E que entender a dinâmica da Amazônia é o principal deles. A inteligência artificial pode ser uma ferramenta de auxílio para resolver muitos outros, e ainda minimizar inúmeros tipos de eventuais impactos ambientais oriundos da superação de tais desafios, como: infraestrutura (imaginem drones autônomos superando os desafios de logística da região); acesso a serviços básicos (imaginem assistentes pessoais robóticos como a Alexa fazendo atendimentos que conectam comunidades mais afastadas com médicos especialistas); ou mesmo o compartilhamento de informações valiosíssimas sobre os produtos da floresta (satélites roteando sinais de internet permitindo a criação de banco de dados conectados a laboratórios virtuais espalhados pela floresta). As aplicações são inúmeras, sem dúvida, e é preciso ponderar os impactos que tais atividades podem vir a ter no futuro.

Durante nossa viagem, conhecemos muitos empreendedores locais, nas comunidades ribeirinhas, prontos para receber ferramentas, capacitação e networking que os conectem com a rede de negócios nacional e global. Por que não pensarmos em pajés sócios de “unicórnios” nessa nova economia florestal?

Voltamos com a certeza de que estamos nos aproximando de uma revolução baseada na bioeconomia e com o sentimento renovado de que temos muito a aprender com a Amazônia, mas também que, como Rise, temos muito a contribuir.

Por João Marcello, sócio e CIO da Rise.

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